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  • Celulite (Parte 4)
  • 1/03/2022
  • Queremos compartilhar com vocês a 4ª e última parte de um artigo exclusivo para o Laboratório Proyar, redigido pelo Dr. Jorge Alonso. Médico, CRM 67.640, Diretor do pós-graduação em Fitomedicina da U.B.A. e Presidente da Sociedade Latino-Americana de Fitomedicina.

     

    Celulite (Parte 4) Ver terceira parte

     

    Tratamento

    A primeira etapa do tratamento será a de corrigir certos fatores agravantes ou desencadeantes do processo. Por exemplo, recomendar-se-á evitar o sedentarismo, começando pela realização de atividades físicas que mobilizem principalmente os membros inferiores. Nesse caso, a natação, caminhadas, bicicleta, atletismo, etc., tornam-se excelentes aliados para conduzir o processo. Evitar o álcool, roupas apertadas, o uso de anticoncepcionais e o tabagismo torna-se indispensável para alcançar algum resultado terapêutico benéfico. Uma dieta vegetariana, somada à ingestão abundante de líquidos e à utilização periódica de saunas, indubitavelmente colaboram na eliminação de toxinas pelo organismo.

    Preparações tópicas
    Dependendo do estágio ou grau de celulite em que se encontra o processo, as preparações tópicas poderão ter sucesso ou não. Quanto mais cedo for abordado o problema, maior será o sucesso dos produtos de uso local. As preparações tópicas têm como objetivo reativar a circulação, aumentar a elasticidade e diminuir o contorno das áreas afetadas. No entanto, será imprescindível preparar previamente a pele antes da aplicação dos produtos e, em segundo lugar, conhecer muito bem o tipo de veículo apropriado para cada caso.

    As massagens suaves com géis esfoliantes ou com luvas de crina, além de eliminar as células mortas aderidas à pele, melhoram sua aparência e tendem a ativar a microcirculação, evitando edemas e favorecendo a troca celular. A aplicação do produto tópico deve ser realizada sobre a pele seca, após a esfoliação e depois do banho diário, pois assim se consegue uma maior abertura dos poros da pele, tornando-os mais receptivos à absorção dos princípios ativos.

    Ativadores da microcirculação
    Nesses casos, são úteis as preparações venotônicas, pois ao melhorar o tônus e o retorno venoso diminuem a extravasão de líquidos e fluidos, comportando-se, por sua vez, como antiedematosos. Plantas como o castanheiro-da-índia (Aesculus hippocastanum), o rusco (Ruscus aculeatus), a centella (Centella asiatica), o meliloto (Melilotus officinalis), a hera (Hedera helix) e a videira (Vitis vinifera) podem ajudar bastante nesse aspecto. 

    Com relação à hera, trata-se de uma planta trepadeira originária da Europa, amplamente distribuída em regiões temperadas, especialmente na Ásia (da Índia ao Japão) e no norte da África. É muito conhecida na forma de xarope como antitussígeno e levemente expectorante. Apresenta saponinas triterpênicas (hideracósidos e hederinas) com propriedades venoconstritoras e antiedematosas. Além de suas propriedades ativadoras da microcirculação, as saponinas de suas folhas demonstraram facilitar a absorção cutânea e a difusão de outros princípios ativos; enquanto a hederina (uma de suas principais saponinas) mostrou propriedades lipolíticas (“queimadoras de gordura”), auxiliadas pela presença de iodo. Tudo isso faz com que a Hedera helix seja muito utilizada na medicina estética, especialmente em distúrbios circulatórios venosos e sobre nódulos de celulite, combinando-se com a Centella asiática. 

    Diferentes estudos realizados em mulheres afetadas por celulite e tratadas com cremes e sabonetes contendo extratos de Hedera helix a 10% ao longo de um mês de tratamento (em média) apresentaram resultados altamente significativos, especialmente na região das coxas. 

    Quanto à Centella asiática, trata-se de outra planta trepadeira originária de zonas subtropicais da Índia, Indonésia, Paquistão, Sri Lanka, Madagascar, Irã, Malásia, Laos e Vietnã. Seus principais componentes são as saponinas triterpenoides asiaticosídeo e ácido madecásico. A parte utilizada são as folhas, que se mostraram uma das armas mais eficazes contra casos de celulite leves a moderados. Entre os mecanismos de ação propostos, foi possível determinar, em meios de cultura de células embrionárias humanas, que os extratos purificados de Centella asiatica estimulam a síntese de glicosaminoglicanos, especialmente ácido hialurônico e condroitina sulfato (que restauram a arquitetura do tecido).

    Agentes lipolíticos
    São os produtos que atuam sobre o tecido adiposo, reduzindo os depósitos de lipídios localizados nos adipócitos. Nesse grupo destacam-se as metilxantinas (cafeína, teofilina, teobromina), os compostos iodados não hormonais e a L-carnitina. As metilxantinas podem ser encontradas, por exemplo, no cacau, chá verde, café, noz de cola, guaraná e erva-mate. A cafeína obtida dessas plantas é utilizada principalmente por via tópica devido à sua alta afinidade com as células da epiderme, apresentando ótima penetração. É a mais ativa das metilxantinas, exercendo também um efeito termogênico útil nesses casos.

    Entre os compostos iodados de natureza não hormonal destacam-se o iodeto de potássio e extratos de algas como o Fucus vesiculosus. São utilizados para desencadear a lipólise nos adipócitos. Sabe-se que os sais minerais, e especialmente o iodo, promovem a lipólise por meio da ativação da enzima lipase, junto com um aumento das trocas osmóticas, o que provoca a eliminação dos líquidos retidos. Outro agente lipolítico é a espécie Myrica cerifera.

    Outros agentes úteis
    Trata-se de compostos que podem ativar a circulação periférica da área afetada, a temperatura e seu metabolismo local. Entre eles destacam-se mentol, canfora, salicilato de metila, alguns óleos essenciais e o alfatocoferol. Outro grupo são os chamados despolimerizadores, como a thiomucase ou a hialuronidase, que podem ser úteis. A fosfatidilcolina e o retinol atuam como agentes regeneradores celulares. A papaína (da mamão) é um bom agente fibrinolítico. Todos eles podem ser combinados com os agentes anteriormente descritos.

     

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