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  • Longevidade Humana (Parte 1)
  • 11/01/2026
  • Do Laboratório Proyar queremos compartilhar com vocês a 1ª parte de um artigo exclusivo para nossos clientes, redigido pelo Dr. Jorge Alonso, médico, CRM 67.640, Diretor da pós-graduação em Fitomedicina da U.B.A. e Presidente da Sociedade Latino-Americana de Fitomedicina.

    Produtos naturais e longevidade humana (Parte 1)

    A expectativa de vida na população geral aumentou consideravelmente nos últimos 30 anos, graças ao melhoramento na qualidade de vida relacionada com o acesso a vacinas, água potável, métodos diagnósticos mais precoces, desenvolvimento de novas drogas, e o maior acesso à informação digital de parte dos pacientes o que lhes permite estar informados e atentos às novas tendências. Não obstante, nestes últimos dez anos, há uma particular atenção de parte da comunidade científica nos alimentos e plantas medicinais, e seus possíveis papéis em conseguir estender a expectativa de vida. Através da biotecnologia celular, se pôde observar que os fitoquímicos presentes neles podem atuar no mais profundo das células, e inclusive no DNA, para assim desacelerar o normal envelhecimento. Nisso cobram um papel relevante os cromossomos e seus telômeros.

    Como sabemos, nossas células contêm 46 cromossomos cada um distribuídos em 23 pares. Os cromossomos são feitos de filamentos de DNA, compostos de ácidos nucleicos, chamadas "nucleotídeos", que contêm informação genética. Estes cromossomos têm a capacidade de se duplicarem durante a divisão celular. Assim, a célula mãe dá origem a duas células filhas idênticas, que é o que permite a nossos tecidos e a nossos órgãos se renovarem e, em definitiva, é o que nos permite viver e conservar a saúde durante muito tempo. Para se duplicar, a célula mãe deve produzir primeiro uma cópia de seus 46 cromossomos, e cada vez que os cromossomos se duplicam, estas novas cópias se utilizam para formar uma nova célula.

    Nos anos 70 se descobriu que as extremidades dos cromossomos estão protegidas por uma espécie de capuzes aos quais se chamou "telômeros", similares aos pequenos envoltórios de plástico que protegem os cordões dos sapatos. Sem esse pedaço de plástico, o cordão se desfaria rapidamente e se tornaria inútil.

    É assim que os telômeros protegem a informação genética no núcleo de seus cromossomos e têm além disso a importante função de ajudar a que seu DNA se replique com mais facilidade, para permitir a divisão celular e, portanto, o nascimento de uma nova célula. A ausência de telômeros faz com que a célula não possa se duplicar provocando que a célula mãe não consiga produzir novas células filhas.

    É assim como o organismo vai envelhecendo. De tudo isto se deduz que quanto mais longos são os telômeros, as células estão melhor protegidas e mais facilmente podem se reproduzir e regenerar seus órgãos. Esta sequência, na medida que persista inalterável, nos poderia dar uma vida infinita. O problema é que, com cada divisão celular, os telômeros perdem dezenas ou centenas de ácidos nucleicos, dado que estão programados para atuar unicamente em cada divisão celular. Isto significa que, segundo passam os anos, os telômeros vão se tornando cada vez mais curtos, o que repercute em uma desaceleração paulatina do processo de divisão celular, entrando no período denominado "senescência" (envelhecimento celular).

    Quando os telômeros se tornam demasiado curtos, o material genético fica desprotegido e já não podem assegurar seu papel protetor, pelo que a célula deixa de se dividir, entra em "senescência" e finalmente morre, sem haver sido substituída. Por outra parte, a falta de proteção do material genético favorece o aparecimento de mutações anárquicas nos cromossomos, aumentando assim o risco de câncer, doenças cardiovasculares e processos neurodegenerativos. Em definitiva: nossa maior ou menor esperança de vida está ligada ao comprimento de nossos telômeros.

    Já pôde ser demonstrado que as pessoas com telômeros curtos vivem menos e têm maior incidência de desenvolver câncer. Por exemplo, a incidência anual de falecimentos é de 5,1 casos por cada 1.000 entre as pessoas com telômeros longos, enquanto que a cifra sobe vertiginosamente a 22,5 casos por cada 1.000 entre quem tem telômeros curtos, o que significa um risco 4,4 vezes mais elevado.

    Com base em tudo isto, a ciência está procurando encontrar substâncias que possam ter direta interferência na preservação dos telômeros. E precisamente, é a natureza a fonte de conhecimento onde bebem os pesquisadores, sabendo que ali possam encontrar a tão almejada "fonte da juventude". Um dado muito importante a ter em conta é que se descobriu que o organismo nem sempre está de braços cruzados vendo como se degradam seus telômeros. Com efeito, hoje sabemos que existe uma enzima chamada telomerase que permite aos telômeros preservar seu tamanho ótimo. Esta enzima foi descoberta por três pesquisadores: Elisabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak, quem receberam por isso o prêmio Nobel de Medicina no ano de 2009. Desde então, se levaram a cabo grandes descobertas sobre a função da telomerase. Por exemplo, organismos animais que vivem por acima dos 200 anos apresentam uma telomerase "super ativa", de tal maneira que seus telômeros se encurtam minimamente com o passar dos anos. Os exemplos mais clássicos são as ameijoas (500 anos), ouriço vermelho (até 200 anos), as tartarugas gigantes de Aldabra (cerca de 500 anos) ou a baleia boreal (até 200 anos). No ser humano, a telomerase é muito ativa desde o período embrionário até o fechamento das epífises ósseas (etapa final do crescimento). A partir daí, sua função protetora diminui notavelmente.

    Ele continuará em segunda parte.

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