Do Laboratório Proyar queremos compartilhar com vocês a 2ª parte de um artigo exclusivo para nossos clientes, redigido pelo Dr. Jorge Alonso, médico, CRM 67.640, Diretor da pós-graduação em Fitomedicina da U.B.A. e Presidente da Sociedade Latino-Americana de Fitomedicina.
Produtos naturais para a memória (Parte 2) Veja a primeira parte
Seguindo com as plantas medicinais, sem lugar a dúvidas devemos mencionar as folhas do Ginkgo biloba, uma árvore asiática de lendária reputação que melhora a circulação sanguínea a nível cerebral, estimula a memória, é antioxidante, e que desta maneira complementa perfeitamente a atividade da fosfatidilserina. Os benefícios dos ginkgólidos, os quais estão presentes em suas folhas, determinou inclusive a outorga de um prêmio Nobel de Química, ao Dr. Elias Corey da Universidade de Harvard em 1990, por suas pesquisas sobre os benefícios cognitivos do ginkgólido B em doença de Alzheimer. O Ginkgo biloba se comercializa em forma de cápsulas ou comprimidos, suministrando-se na razão de 80 a 240 mg diários. Outros benefícios se relacionam com sua atividade a nível oftálmico em retinopatias, a nível auditivo (hipoacusia vascular, acúfenos), a nível neurológico em casos de vertigens, transtornos de déficit de atenção e hiperatividade em crianças (TDAH) e a nível de circulação periférica (varizes, síndrome de claudicação intermitente).
Nesse mesmo papel aparecem a vincamina, obtida das folhas da vinca menor (uma planta muito empregada como ornamental que podemos encontrar em qualquer viveiro). Os benefícios da vincamina se conhecem desde finais da década de 70 existindo em seu momento um produto denominado Vincapan®. Com o tempo se conseguiu fazer um derivado hemisintético chamado vinpocetina e comercializado com o nome de Cavinton®. Ambos produtos já não se comercializam na Argentina. A vincamina tem a particularidade de ter um efeito espasmolítico arterial, sendo benéfico inclusive em coronariopatias.
Um composto interessante é a CDP-colina. Trata-se de um metabólito intermediário na biossíntese de fosfatidilcolina, referente da integridade neuronal em situações de injúria, isquemia ou traumas. É um precursor de acetilcolina e betaína. A betaína se relaciona com a conversão de homocisteína em L-metionina reduzindo assim a progressão de focos de amiloide em cérebro. Os ensaios clínicos demonstraram melhorias em estádios iniciais da doença de Alzheimer. Nesta mesma linha de atividade, podemos citar o ácido fólico. O suprimento de 800 mcg diários demonstrou melhorar a memória em pessoas de meia idade. As pessoas de terceira idade com dieta rica em folatos demonstraram ter menor incidência de doença de Alzheimer (reduz níveis elevados de homocisteína).
Outra planta que se estudou muito atualmente é a Huperzia serrata, uma espécie asiática cujo princípio ativo huperzina A, demonstrou inibir a enzima acetilcolinesterase, permitindo assim uma maior concentração do neurotransmissor acetilcolina, vital para o circuito neuronal vinculado à cognição em pacientes com Alzheimer. Este mecanismo de ação é compartilhado pela galantamina, presente em Galanthus nivalis, do qual há produtos no mercado farmacêutico com venda sob receita. Se dosifica com base em 12-24 mg diários de galantamina.
Entre os fungos medicinais e alimentícios se destaca nesta área o conhecido como "juba de leão" (Hericium erinaceus), que cresce na zona holártica do planeta. Se costuma encontrar associado à madeira de árvores (já que são organismos simbióticos com seus hospedeiros), especialmente da faia americana. Na medicina chinesa o empregam por seus benefícios em diabetes. Em estudos de laboratório com células cerebrais cultivadas, se descobriu que as hericenonas presentes neste fungo, ativam em nosso organismo uma proteína chamada fator de crescimento neural (NGF, por suas siglas em inglês, Neurological Growth Factor). O NGF facilita a comunicação entre o cérebro e as células nervosas e promove uma função neurológica saudável. De fato, cumpre um papel chave na proteção, reparação, regeneração e restauração das células cerebrais contra o dano causado pelo envelhecimento e as ameaças ambientais às quais se enfrenta cada dia. No momento, só se comercializa em fórmulas magistrais.
Já saindo das espécies botânicas, cabe mencionar a importância de certos aminoácidos, entre os que se destacam a L-tirosina, que conta com excelentes trabalhos na área da cognição, sendo um precursor do neurotransmissor dopamina; o triptofano (precursor do neurotransmissor serotonina) ou a L-teanina (presente no chá verde, e relacionado com a geração de relaxamento sem perda de vigília). Há vários produtos no mercado farmacêutico.
Com o objetivo de obter melhores resultados, se costuma recomendar associar vários destes componentes em uma mesma formulação, para obter efeitos sinérgicos, que permitam otimizar a resposta desejada, e facilitar a adesão do paciente à tomada de uma cápsula que os contenha. Ao serem a maioria deles componentes naturais integrantes de alimentos, se recomenda a tomada destes produtos durante o ato das refeições principais, na dose recomendada por um profissional da saúde.