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  • Plantas do fígado (Parte 2)
  • 24/03/2025
  • Do Laboratório Proyar queremos compartilhar com vocês a 2ª parte de um artigo exclusivo para nossos clientes, redigido pelo Dr. Jorge Alonso, médico, CRM 67.640, Diretor da pós-graduação em Fitomedicina da U.B.A. e Presidente da Sociedade Latino-Americana de Fitomedicina.

     

    Plantas do fígado (Parte 2) Veja a primeira parte

     

    Atividade Mista
    Se trata daquelas plantas que demonstraram exercer tanto atividade colerética como colagoga. Resulta difícil estabelecer qual espécie é colagoga e qual colerética, por isso na prática se as agrupa com ambas funções. Entre as principais espécies com atividade mista contam as folhas do boldo (Peumus boldus), as folhas da alcachofra (Cynara scolymus), a raiz de dente de leão (Taraxacum officinale), as folhas de hortelã (Mentha x piperita), a casca e folha de bérberis (Berberis vulgaris), folhas de combretum (Combretum micrathum) e a folha e sumidade florida do alecrim (Rosmarinus officinalis).

    Tanto as plantas coleréticas, colagogas ou de atividade mista, se costumam prescrever em forma de tintura para consumo por via oral, seja sozinhas ou misturadas entre si 2, 3 ou mais plantas. Isso é o que predomina no mercado farmacêutico com o conceito de "gotas hepáticas". A dose costuma ser em torno de 30-50 gotas, duas vezes ao dia, em um pouco de água. Também podem apresentar-se em comprimidos, para tomar sempre depois das refeições principais.

    Atividade Hepatoprotetora
    As plantas que aqui atuam exercem uma atividade protetora do hepatócito frente a agentes externos tóxicos, infecciosos ou contaminantes. Essas plantas costumam trabalhar mediante mecanismos antioxidantes e ativando os sistemas enzimáticos detoxificantes do hepatócito, como o sistema glutatião e a SOD (superóxido dismutase). Em qualquer dos casos, não deve omitir-se a prescrição de uma dieta que reduza a incorporação de gorduras, redução de carboidratos de rápida assimilação e melhora nos aportes de substâncias de solubilização como a colina e a lecitina. Uma mastigação lenta e pausada, somada à incorporação de líquidos antes e/ou depois das refeições (não durante), facilitam o funcionamento digestivo.

    As plantas que cumprem com atividade hepatoprotetora são: as folhas de alcachofra (Cynara scolymus), o fruto do cardo mariano (Silybum marianum), a parte aérea da carqueja (Baccharis articulata), a parte aérea do crisântelo (Chrysanthellum indicum), o rizoma de cúrcuma (Curcuma longa), a raiz de saiko ou falso boldo (Bupleurum falcatum), e as folhas ou frutos da groselha preta (Ribes nigrum). Em menor medida contam as folhas da cenoura (Daucus carota) e o cogumelo shiitake (Lentinus edodes).

    Um dos vegetais mais apreciados como hepatoprotetor tem resultado ser o cardo mariano, o qual contém uma mistura de flavanolignanos que em seu conjunto se conhece com o nome de silimarina, constituídos basicamente por silibina (a mais ativa), silidianina, silicristina, isosilibina e silibinina. Em forma de decocção se emprega o fruto na razão de 3-6 g de droga, 2-3 vezes ao dia. A silimarina se prescreve na razão de 150-400 mg/dia em forma de comprimidos. Um detalhe não menor é que a silimarina é um dos poucos compostos que pode prevenir ou combater a falha hepática produto de uma intoxicação com o cogumelo Amanita phalloides.

    O outro grande hepatoprotetor é a cúrcuma, cujo rizoma contém curcuminóides (especialmente curcumina). Os curcuminóides se costumam ativar em presença de pimenta preta (Piper nigrum) daí que apareçam formas combinadas de ambos. Senão, a forma de apresentação lipossomada (sem pimenta preta) também conta com boa concentração de curcuminóides. Em comprimidos, se costuma dar extrato de cúrcuma na razão de 500-700 mg, duas vezes ao dia, com 10 ou 15 mg de pimenta preta. A cúrcuma, além disso, é antioxidante e anti-inflamatória. Tanto a cúrcuma como o cardo mariano se costumam dar em casos de fígado gorduroso, para evitar sua evolução a cirrose.

     

VADEMECUM / OUTRAS DROGAS VEGETAIS

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